quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Obras e condições de trabalho no Aeroporto do Porto preocupam PCP

Eleitos no Parlamento e nos órgãos autárquicos visitaram zona das obras do Aeroporto
A deputada do PCP na Assembleia da República Diana Ferreira, acompanhada dos eleitos da CDU na Assembleia Municipal da Maia, Alfredo Maia, e na Assembleia de Freguesia de Vila Nova da Telha, João Couto Lopes, visitou, na manhã desta segunda-feira, a zona envolvente ao Aeroporto do Porto, onde pôde avaliar os impactos e transtornos que as obras de alargamento daquela infra-estrutura causam no quotidiano das populações da Maia e de Matosinhos. 



Com o encerramento da passagem inferior existente em Vila Nova da Telha, a alternativa possível passa por um percurso de 15 minutos em transporte individual ou superior a 30 minutos de outra forma, dificultando enormemente a mobilidade e a economia locais. A situação é mais preocupante quando as obras continuam a sofrer atrasos sucessivos com argumentos inaceitáveis.

Restabelecimento da circulação no túnel de Vila Nova da Telha adiado mais um ano
As obras põem em evidência, por outro lado, dois graves problemas que, afectando severamente as populações locais, atingem também a maioria dos trabalhadores no Aeroporto, estimados entre 20 mil e 30 mil: a falta ou a insuficiência de transportes públicos (metro e autocarros), sobretudo em horários que cubram todos os turnos numa infra-estrutura que funciona 24 sobre 24 horas; e a escassez de estacionamento para os que são obrigados a recorrer ao automóvel individual. 

Trata-se de problemas aos quais os eleitos da CDU nos órgãos autárquicos têm prestado atenção e em cuja resolução vão continuar a empenhar-se. 


Condições de trabalho degradadas 

Delegação reuniu-se com dirigentes do SITAVA
Ao final da manhã, a comitiva, que era integrada também pelos responsáveis concelhios do PCP na Maia, Cristiano Castro, e em Matosinhos, André Gregório, reuniu-se com a direção do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA). 

Na reunião, foi possível confirmar que a realidade da precariedade, o recurso ao falso outsorcing e ao trabalho temporário tem vindo a intensificar-se, ao que se junta a realidade do trabalho nocturno e por turnos e horários desregulados, numa degradação das condições de trabalho e dos direitos dos trabalhadores do Aeroporto do Porto. 

Aquela situação intensificou-se com a privatização da empresa ANA Aeroportos, significando, como foi transmitido ao PCP, que quem hoje vai trabalhar para o Aeroporto do Porto não tem perspectivas de progressão de carreira e/ou remuneração, tendo mais como certeza a precariedade, a instabilidade, intensos ritmos de trabalho e baixos salários – realidade que atinge milhares de trabalhadores, que vivem situações laborais precárias e extenuantes, sem qualquer perspectiva de futuro. 

O PCP tem uma continuada intervenção nesta área, com propostas apresentadas na Assembleia da República, nas quais insistirá, não deixando de ter em conta esta realidade concreta.