sexta-feira, 9 de julho de 2021

CDU denuncia resultados desastrosos do Fundo Maia Imo

 

Casa do Brás Oleiro, um dos imóveis do Fundo Imobiliário

A CDU voltou a alertar, hoje, a Assembleia Municipal para os resultados desastrosos do Fundo Imobiliário Fechado Maia Imo, que em 2020 voltou a registar um resultado líquido negativo (quase 417 mil euros), sublinhando que, em 13 anos de existência, apenas em dois teve resultados positivos e que mantém um passivo bancário de 4,2 milhões de euros.   


Intervenção de Alfredo Maia


Como já havíamos chamado a atenção na discussão das Contas do Município, o Relatório e Contas do Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado Maia Imo relativo a 2020 confirma a urgente necessidade de colocar um ponto final a esta aventura.

Desde a sua criação, em 2008, apenas em dois dos 13 exercícios do Fundo Maia Imo foram positivos e o património alienado mais não serviu do que para reduzir o passivo bancário, que continua a cifrar-se em 4,2 milhões de euros.

A CDU esteve bem ao votar contra a sua criação, em 2008; esteve bem ao votar contra a sua renovação em 2018; e está bem ao desafiar o Executivo e a maioria que o suporta a explicar por que razões mantêm esta aventura que, verdadeiramente, nunca teve um fundamento válido para o seu lançamento.

Não foi a CDU que o escreveu – lê-se no Relatório e Contas do primeiro exercício que o ano de 2008 fora claramente desfavorável, de recessão, e que o ano seguinte sofreria “as consequências do embate económico recessivo”.

Veja-se também a miragem das expectativas de melhoria plasmadas nas considerações dos relatórios seguintes, ainda que os resultados concretos indicassem exactamente o sentido inverso.

Eis o histórico dos resultados líquidos de cada um dos exercícios (em euros):

EXERCÍCIO

RESULTADO (€)

2008

-1 526

2009

-48 259,3

2010

-27 321

2011

-27 321

2012

-845 866

2013

-142 936

2014

191 587

2015

573 654

2016

-1 379 558

2017

-737 431

2018

-101 934

2019

-266 405

2020

-416 809

Fonte: Relatórios e Contas 2008-2020

Quanto aos resultados de 2020, explica o relatório que os proveitos totalizaram apenas 59 039  e que os custos ascenderam a 475 848 euros. 

Os dados significam que, nestes 13 exercícios, foram acumulados 3 230 125 euros de resultados negativos; que nunca foi saldado o passivo bancário e que as poucas vendas de quatro imóveis – Novo Rumo Sul, em 2014; Novo Rumo Norte, em 2017; e Quinta dos Girassóis e Casa Ramalhão em 2019 – serviram praticamente para reduzir tal passivo, ainda assim elevado, cifrando-se, repete-se, em 4,2 milhões.

Analisando-se os quadros relativos à Diferença entre o valor contabilístico e o valor médio das avaliações dos imóveis e à composição discriminada da Carteira de Activos do Fundo, salienta-se:

1 – Dos 15 imóveis que o compunham à data de 31 de Dezembro de 2020, doze apresentam valores contabilísticos inferiores aos dos custos de aquisição, em 31 de dezembro de 2008 – e em vários casos substancialmente.

2 – Nomeadamente o Hipódromo vale agora menos 744 526 euros (-54,5%) do que os 1 366 276 euros do custo da aquisição 13 anos antes.

3 – O valor global dos 15 imóveis (cerca de sete milhões de euros) é inferior em cerca de 1,7 milhões aos quase 8,7 milhões que apresentava à data da sua aquisição.

 

Posto isto, Senhor Presidente gostaríamos de que nos apresentasse a apreciação que o Executivo faz ao desempenho do Fundo Imobiliário Fechado Maia Imo e que futuro nos antecipa.

 

 

Disse.